A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) promoveu, entre os dias 3 e 5 de agosto, o Giro Abitrigo – Cerrado Mineiro, iniciativa que levou cerca de 40 representantes de moinhos e empresas associadas para conhecer de perto a produção de trigo em Minas Gerais. A programação incluiu visitas técnicas a propriedades rurais, cooperativas e empresas de Araxá e de outras localidades do Triângulo Mineiro e do Alto Paranaíba.
Durante o roteiro, os participantes acompanharam o desenvolvimento das lavouras, conheceram diferentes sistemas de produção e trocaram experiências sobre manejo, produtividade, qualidade do cereal, logística e os desafios enfrentados pelos produtores no campo. A agenda também possibilitou uma aproximação direta entre a indústria, os agricultores e os demais elos da cadeia produtiva.
Para o presidente do Conselho Deliberativo da Abitrigo, Daniel Kümmel, os giros promovidos pela entidade são importantes para ampliar o relacionamento entre associados e parceiros, além de permitir o conhecimento das diferentes realidades produtoras do país.
“Iniciativas como está oferecem a oportunidade de conhecer a realidade do produtor rural e do comércio do trigo, além de oferecer a troca de conhecimento entre os participantes, não só pelo que vemos nos locais da visita, mas por reunir um grupo com representantes da indústria de diferentes locais do Brasil”, afirma Kümmel.
Evolução da produção no estado
Representante da Ouro Alimentos e um dos responsáveis pela organização do roteiro, Marcos Tubertino de Souza ressaltou a evolução da produção de trigo no Cerrado Mineiro nos últimos anos. De acordo com ele, os produtores vêm ampliando o conhecimento técnico e adotando práticas mais eficientes, mesmo diante das dificuldades relacionadas à seca e às condições climáticas.
“O trigo tem tido uma melhoria no Cerrado e um crescimento. Mesmo com as dificuldades que enfrentamos com a seca e o clima, evoluímos ano a ano em técnica, segregação e orientação. Os produtores estão cada vez mais capacitados”, afirmou.
Para Tubertino, a presença da Abitrigo na região contribui para apresentar aos moinhos as características do Triângulo Mineiro e do Alto Paranaíba, incluindo a infraestrutura e a logística disponíveis para o escoamento da produção.
“É importante que a Abitrigo e os moinhos conheçam a nossa região, a riqueza que temos aqui e a logística. A dinâmica do plantio do trigo no Cerrado é um grande desafio, mas estamos nos aperfeiçoando a cada dia para enviar esse trigo para outros mercados”, explicou.
O representante da Ouro Alimentos também destacou o potencial de qualidade do cereal produzido em Minas Gerais. “Precisamos de mais mercados. Temos um trigo de altíssima qualidade, que chamamos de trigo de alta proteína”, acrescentou.
Novas origens para a indústria
A aproximação com os produtores foi um dos pontos destacados pelos participantes do Giro. A Wheat Sourcing Coordinator da Bunge Brasil, Gisele Cavogna, que acompanhou o grupo, avaliou que a programação permitiu compreender melhor o andamento da safra e acompanhar as características do trigo produzido na região.
“O giro tem sido muito produtivo. Encontramos colegas de outras indústrias e nos aproximamos dos produtores para entender como está evoluindo a safra de trigo deste ano”, relatou.
Para o gerente operacional da Vilma Alimentos, Marco Tulio Macedo Moura a produção mineira apresenta uma realidade distinta daquela observada em outras regiões tradicionais do país. “É uma realidade bem diferente do restante do Brasil, principalmente da região Sul, porque aqui temos uma presença muito forte do trigo irrigado, que garante a qualidade do cereal que as indústrias procuram”, afirmou.
Além de proporcionar uma visão prática sobre o potencial produtivo do Cerrado Mineiro, o Giro Abitrigo reforçou a importância da integração entre produtores, pesquisadores, cooperativas, empresas e indústria para o desenvolvimento da triticultura brasileira. “A iniciativa também abre espaço para a avaliação de novas origens de matéria-prima e para a construção de relações comerciais capazes de ampliar a participação do trigo mineiro no abastecimento da indústria nacional”, finaliza Kümmel.