* Élcio Bento – Especialista em Inteligência de Mercado – Complexo Trigo

Os line-ups de importação de trigo no Brasil somam 4,525 mi t no acumulado da temporada 2025/26, considerando embarques realizados e/ou programados entre set/25 e ago/26. O volume permanece abaixo do observado na temporada anterior no mesmo intervalo, quando o line-up alcançava 5,836 mi t, sinalizando um fluxo externo menos intenso no ciclo atual, apesar da continuidade das programações até o encerramento do ano comercial.

Distribuição geográfica dos desembarques

A distribuição dos desembarques segue marcada por forte concentração geográfica. O CE lidera com 1.040.454 t (23,0%), consolidando-se como principal porta de entrada do trigo importado. Na sequência aparecem SP, com 946.418 t (20,9%), PE, com 596.029 t (13,2%), e BA, com 509.728 t (11,3%). Esses quatro destinos concentram a maior parte do volume programado, reforçando a importância do eixo Nordeste–Sudeste na logística de abastecimento externo.

Em um segundo bloco, destacam-se RJ (439.773 t / 9,7%), PR (217.120 t / 4,8%), RS (198.942 t / 4,4%) e PB (163.661 t / 3,6%), com participação complementar na estrutura de recebimento. Outros estados apresentam volumes menores, como PA (132.610 t / 2,9%), SE (123.100 t / 2,7%), ES (109.750 t / 2,4%) e MA (47.900 t / 1,1%). SC e AL não registram volume no levantamento atual.

Recorte mensal do fluxo importador

No recorte mensal, o maior volume da temporada segue concentrado em dez, com 610 mil t. Em 2026, o fluxo passou por 360 mil t em jan, 393 mil t em fev, 274 mil t em mar, 439 mil t em abr e 286 mil t em mai. Para jun, o line-up indica 418 mil t, enquanto jul aparece com 452 mil t e ago com 151 mil t, mostrando recomposição das indicações na reta final da temporada.

Origens do trigo importado

Quanto às origens, no acumulado entre set/25 e jul/26, a Argentina mantém ampla predominância, com 3,563 mi t, equivalente a 78,7% do total considerado. O Uruguai aparece na sequência, com 292.828 t (6,5%), seguido por Rússia (167.234 t / 3,7%), Turquia (84.150 t / 1,9%), Canadá (61.990 t / 1,4%) e EUA (16.516 t / 0,4%). Os volumes ainda sem definição final (TBC) somam 30.000 t (0,7%). A cabotagem responde por 310.169 t, ou 7% do total, concentrada em movimentações para RS (250.084 t) e PR (60.085 t).

Redistribuição interestadual e o trigo terrestre do Paraguai

Cabe destacar que o trigo desembarcado nos portos não necessariamente é consumido nos estados de chegada, sendo comum a redistribuição interestadual conforme a demanda dos moinhos. Além disso, o trigo importado do Paraguai via transporte terrestre — que, segundo dados oficiais, acumula cerca de 630 mil t até junho — não está incluído nos Line-Up portuários, o que significa que o volume total efetivamente disponível ao mercado é superior ao observado nos dados marítimos.

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*Élcio Bento – Especialista em trigo por Safras & Mercado, é economista, graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Faz parte da divisão de especialistas de Safras & Mercado há mais de 20 anos. Realiza palestras, seminários e consultorias por todo o país, além de ser o responsável pela elaboração dos relatórios diários e semanais do segmento de trigo.