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Com safra em queda, produtores de trigo buscam alternativas de melhoramento genético no RS

Considerada a principal cultura de inverno para os produtores gaúchos, a safra de trigo registrou queda em 2017, conforme dados divulgados pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Pensando em como a qualidade da produtividade pode reduzir os prejuízos, pesquisadores da área trabalham em programas de melhoramento genético.

No balanço divulgado, a produtividade média ficou em 25 sacas por hectare, praticamente metade do que era esperado. Para o engenheiro agrônomo da Emater, Cláudio Dóro explica que essa queda se deu por diversos fatores negativos durante o ciclo da cultura.

“Começou com geada. Depois nós tivemos uma longa estiagem no mês de setembro e agora no mês de outubro um excesso de chuva, que culminou com uma queda na produtividade e na qualidade do grão. E agora, pós colheita, o produtor se preocupa com o mercado”.

Apesar da safra ter frustrado a maioria dos produtores, o agricultor Beto Bertagnolli, que cultiva trigo em Ciríaco, no Norte do Rio Grande do Sul. Mesmo com uma produtividade cerca de 15% menor que a safra do ano passado, ele diz que está conseguindo colher uma média de 70 sacas por hectare.

“A gente traça um ano antes uma ideia de como fazer a lavoura, e a gente fica o máximo possível pensando, e executando a melhor maneira de a gente fazer uma lavoura bem feita”, conta Bertagnolli sobre o processo do plantio até a colheita.

A área cultivada de trigo no Brasil chegou a cair pela metade nos últimos 25 anos. Por outro lado, a produtividade é quatro vezes maior, reflexo de melhorias no manejo da cultura, mas principalmente pelo melhoramento genético, com o desenvolvimento de plantas mais resistentes

"Então, nós temos melhoria tanto das máquinas para plantio, máquina para pulverização, os próprios produtos químicos e insumos agrícolas como os fertilizantes e adubação nitrogenada evoluíram muito", de acordo com o doutor em fitopatologia Paulo Kuhnen.

Nos programas de melhoramento genético, o esforço é principalmente para conter doenças como, por exemplo, a Gibberella, um tipo de fungo muito comum nas lavouras gaúchas.

"Quando nós buscamos cultivares de fora do Brasil, você traz potencial produtivo, porém quando chega nas condições brasileiras, a gente tem que fazer um trabalho intensivo de melhoramento genético, porque as nossas condições no Brasil são bem adversas principalmente do ponto de vista de doenças", conclui Kuhnen.

Previsão já era negativa

As condições climáticas dos quatro meses de desenvolvimento da cultura do trigo, conforme a previsão anterior, não foram favoráveis para o grão no Rio Grande do Sul. Apesar do manejo adequado na lavoura, uma combinação de fatores como chuva em excesso, geada e seca prejudicou os 720 mil hectares cultivados do cereal.

Em outubro, o vento forte e o granizo causaram novos estragos em Santa Rosa, Tuparendi e Porto Mauá, no Noroeste do estado. O Sindicato Rural que atende a região estimou estragos 250 hectares de trigo.

Confira a reportagem completa.

 

Fonte: G1