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Importação brasileira de trigo cresceu 33% em 2016

As importações brasileiras de trigo cresceram 33% no ano passado e atingiram 6,866 milhões de toneladas. As despesas com a entrada do cereal estrangeiro aumentaram 10% para US$ 1,335 bilhão. A compras foram favorecidas pela queda de 17% no preço do cereal, que ficou em média a US$ 194 por tonelada, ante US$ 235 por tonelada registrado em 2015. O maior preço médio histórico na importação ocorreu em 2013, quando os moinhos pagaram US$ 332 por tonelada.

As estatísticas do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços mostram que no ano passado as importações de trigo dos Estados Unidos cresceram 171% para 1,266 milhão de toneladas, com aumento de 128% nos gastos para US$ 240 milhões. Os norte-americanos voltaram a ser o segundo maior fornecedor de trigo para o mercado nacional, superando o Paraguai, que também aumentou em 68% suas vendas para o Brasil, para 956 mil toneladas (US$ 176,9 milhões).

A Argentina se mantém como principal fornecedor para os moinhos brasileiros. As importações no ano passado somaram 3,950 milhões de toneladas e a despesa atingiu US$ 772,4 milhões. Os moinhos também compraram mais trigo do Uruguai. O volume de trigo uruguaio que entrou no mercado brasileiro no ano passado somou 577 mil toneladas e os gastos atingiram US$ 111,7 milhões.

A importação brasileira de trigo atingiu o maior volume dos últimos quatro anos, justamente quando a produção nacional atingiu o recorde de 6,726 milhões de toneladas, volume 21,5% acima das 5,534 milhões de toneladas colhidas na safra passada. Segundos dados divulgados nesta terça-feira pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a oferta equivale a 62,7% da demanda brasileira e 64,7% do volume esperado de moagem industrial nesse período.

A Conab estima um superávit próximo de 1 milhão toneladas na oferta de trigo no Rio Grande do Sul, considerando a produção estadual de 2,49 milhões de toneladas e a capacidade industrial de moagem estimada pela Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo) de 1,4 milhão de toneladas, incluindo trigo importado. Os técnicos lembram que esse superávit exigiu a intervenção do governo federal para escoar o excesso de produtos para as regiões Norte e Nordeste.

Nos quatro leilões realizados desde o mês passado a Conab ofertou apoio para escoamento de 1,330 milhão de toneladas de trigo e houve demanda para 515.580 toneladas, basicamente através de Prêmio de Equalização de Preço ao Produtor (Pepro). Os técnicos da Conab observam que parcela do volume excedente, com menor qualidade, deverá ser demandada pela indústria de ração em substituição ao milho. Eles comentam que a alternativa de aquisição pelo governo federal de parte da produção excedente, para recompor os estoques públicos, está sendo negociada pelo governo.

Fonte: Revista Globo Rural