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Está nos pães, massas, bolos, biscoitos e mesmo na cerveja

Em pães, massas, bolos, biscoitos e mesmo na cerveja, o trigo está – e deve estar – presente na dieta dos brasileiros. Tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto órgãos nacionais especializados em nutrição apontam a necessidade de quantidades generosas do grão. A pirâmide alimentar, por exemplo, destina de oito a 11 porções/dia aos carboidratos, principal fonte de energia para o organismo e oferecidos pelo cereal que fornece, ainda, vitaminas e minerais essenciais. Sua falta resulta em cansaço, fadiga muscular, alteração do sono, câimbras e perda de massa magra.

A vantagem é que o mercado oferece grande variedade de produtos à base de trigo, como farinhas refinadas brancas e amarelas (especiais), farinhas integrais (grossa e fina), farelo, fibra e gérmen, cada qual com suas características. Considerada uma das principais bases de nossa alimentação, a farinha branca, além de ser fonte de carboidratos, ajuda a espantar a insônia e a ansiedade, aumenta a capacidade de concentração e a disposição física, reduz o risco de doenças coronárias, mantém a flora intestinal saudável e controla os níveis de colesterol.
Na carona do Dia Mundial do Trigo, lembrado em 10 de novembro, conversamos com a nutricionista consultora da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) e presidente da Associação Paulista de Fitoterapia (APFIT), Vanderli Marchiori, sobre os benefícios do trigo e de seus derivados para a saúde. O grão é bastante consumido em todo o mundo. No Brasil, o consumo anual per capita é de 57 quilos, segundo a
Abitrigo. Já na França, o índice atinge 109 quilos e na Bulgária, país campeão de consumo, 279 quilos por pessoa/ano.

Metrópole – Quais são as principais características nutricionais do trigo?
Vanderli Marchiori – O trigo é uma excelente e importantíssima fonte de carboidrato, nutriente base para o fornecimento de energia para o corpo. Se consumido na forma integral, oferece boa quantidade de fibras, mesmo não sendo fonte delas. O grão também fornece vitaminas E e do complexo B. A vitamina E é importante na formação dos hormônios sexuais e antioxidante, ou seja, relevante para o cérebro. Já as vitaminas do complexo B fazem o metabolismo da glicose dentro das células, e a B1, a B3 e a B6 são fundamentais para a imunidade.

Existe algum tipo de moagem que preserve mais esses nutrientes do que outro?
Quanto menos processado for o trigo, maior a preservação das vitaminas. Ou seja, quanto mais integral for, maior será a presença de nutrientes. Se ele for extremamente refinado, como na farinha branca, terá um valor pequeno de vitaminas, mas o carboidrato ainda estará presente.

Mas, o carboidrato exige atenção para que não se torne um vilão, certo?
Na realidade, tanto o Meu Prato Ideal (programa nutricional avaliado por especialistas) quanto a pirâmide alimentar são claros ao informar que precisamos de oito a 11 porções de carboidratos ao longo do dia, oriundos de fontes diferentes. As leis da nutrição mais antiga também embasam que necessitamos de 45% a 55% de carboidrato por dia para que o corpo não utilize a massa muscular como fonte de energia primária. Esses cuidados são muito importantes pois hoje existem dietas com isenção de carboidrato. Se a pessoa faz isso, o corpo necessariamente usará a massa muscular como fonte de energia, o que está longe do ideal. Além disso, a ausência de carboidrato piora o rendimento cerebral.

Visando a manutenção da saúde, qual é a quantidade recomendada de trigo por semana?
Não podemos atribuir simplesmente ao trigo a manutenção de nossa saúde; ele tem de estar inserido na variedade alimentar e nas porções sugeridas pela OMS, de oito a 11. O órgão fala em quatro porções diárias de trigo, em média.

A senhora poderia sugerir formas fáceis de consumo para o dia a dia?
A mais simples e que honra nossa cultura é comer pão pela manhã. Uma ou duas fatias ou o francês garantem a primeira carga de energia para começarmos o dia. Importante para garantir a saúde é rechear esse pão com alimentos saudáveis, como o ovo, que é uma proteína bacana, e até manteiga, mas em dose moderada. Ao longo do dia, pode-se colocar croutons na salada, e o macarrão é bem-vindo na refeição noturna porque tem baixo índice glicêmico e é um grande veículo para alimentos saudáveis, como vegetais e proteínas magras.

O trigo substitui, agregando valores nutricionais, outros alimentos que estão na dieta comum dos brasileiros?
Se pensarmos em índice glicêmico, ele substitui com louvor o arroz, porque tem metade da taxa dele, mesmo que seja o integral. O trigo é um produto acessível, que sempre esteve em nossas mesas. O grande problema são as dietas da moda, que passaram a demonizar alimentos à base de trigo, enquanto as pessoas que, de fato, não podem ingeri-lo são aquelas que apresentam alergia, o que não representa nem 3% da população mundial – alguns estudos falam em 1,5%.

Quais os cuidados necessários para a higienização do grão na cozinha?
Primeiramente, o trigo deve ser comprado de um fornecedor que o entregue devidamente embalado e em condições adequadas de higiene. O ideal é não lavá-lo, mas, se houver essa necessidade, que seja apenas com água. A lavagem reduz um pouco do amido que fica na parte externa e isso pode alterar características de algumas receitas. Se fizer trigo cozido para salada, por exemplo, ele pode ficar com um aspecto mais “empapado”, não tão separadinho e bonito.

Um estudo europeu concluiu que o melhoramento genético torna algumas variedades de trigo menos tóxicas. O que acha disso?
Essa é uma informação bastante controversa, porque poucas vezes se consegue saber qual o tipo de trigo consumido e qual melhoramento ele sofreu. Não gosto de pontuar essa afirmação. O grão europeu é diferente do consumido no Brasil, que vem basicamente da Argentina, do Uruguai e do Paraguai.
 
Então, o cereal, o cultivo e a produção são diferentes ao redor do mundo?
Os grãos são diferentes, com características particulares. Nutricionalmente falando, nós temos um perfil muito bom disponível e, apesar de haver diferença em relação ao europeu melhoradamente modificado, eu diria que a maioria do que se consome no continente não é esse extremamente melhorado. Então, não vejo uma diferença palpável.

Fonte: Correio Popular