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Cenário deve mudar com safra abaixo do esperado na Argentina

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires reduziu sua estimativa da safra de trigo para 12 milhões de toneladas, uma significativa redução em relação à projeção inicial de 14,5 milhões de toneladas. O resultado implica em consequências para a disponibilidade de exportação do país vizinho, influindo diretamente no mercado brasileiro.

“Começaram a aparecer os fundamentos da mudança de que falamos há duas semanas e tudo pode ser alterado. Nada mais continua valendo, seja a respeito dos preços, abastecimento e intervenção do governo [brasileiro]. Tudo poderá ser alterado a qualquer momento”, aponta o analista sênior da Consultoria Trigo & Farinhas Luiz Carlos Pacheco.

Do total da safra de trigo argentino, 6,5 milhões de toneladas serão para o abastecimento interno, sobrando apenas 5,5 milhões – dos quais 3,5 milhões deverão vir para o Brasil. Como 1,0 milhão já foi vendido para o mercado internacional, a disponibilidade argentina fica reduzida a 1,0 milhão de toneladas daqui para frente, explica Pacheco.

Outro fundamento que está deverá sustentar os preços é a redução da safra gaúcha. “Embora a Emater/RS diga que é prematuro fazer qualquer afirmação, é sabido que já houve perdas de qualidade em aproximadamente 10% da safra (250 mil toneladas), que deverão ser absorvidas pelas fábricas de ração e que diminuirão a necessidade de intervenção do governo na mesma medida”, comenta o analista. Segundo ele, com a continuação das chuvas fortes, granizo e ventos que provocam acamação, este percentual poderá aumentar no próximo relatório.

“Ao todo, pode-se dizer que a oferta de trigo do Mercosul para a safra 2016/17 foi reduzida em 3 milhões de toneladas, passando de 21,7 milhões previstas no início de outubro, para 18,7 milhões de toneladas. Por enquanto, esta redução não deverá, a nosso juízo, aumentar a necessidade de importação, pois só atingiu o ‘plus’ que a Argentina colocaria no mercado internacional. Mas, como teremos ainda mais dois meses de colheita pela frente – e previsões de mau tempo em muitas regiões – o volume de trigo deteriorado poderá aumentar e todo o quadro mudar”, conclui.

Fonte: Agro Link