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Boas safras brasileira e argentina de trigo devem reduzir preços

Os preços de produtos derivados do trigo devem cair nos próximos meses. O motivo é a produção melhor deste ano, na comparação com a de 2015. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agriculura Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq), em apenas um mês, o preço do trigo no Paraná — um dos três maiores estados produtores — recuou 16,15%.

Mas não é apenas a colheita brasileira que contribui para a redução dos preços do trigo. Marcelo Vosnika, presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), explica que a grande safra da Argentina, este ano, vai deixar o mercado mais competitivo.

— Com a mudança de governo (o presidente Mauricio Macri assumiu o governo em 2015), houve grandes incentivos aos agricultores. O preço do trigo argentino está pressionando o nacional para baixo. A perspectiva é que a colheita lá seja 50% maior do que a do ano passado.

Já no Brasil, esclarece Vosnika, a área de safra deste ano é menor, mas, devido à qualidade melhor, a produtividade vai superar a de 2015, o que deve se refletir nos preços para a indústria e para o varejo:

— Com a colheita maior, é natural que o preço (para o consumidor) ceda um pouco.

Segundo Cláudio Zanão, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi), com a queda, a indústria costuma ofertar promoções ao varejo.

— Ela vai dar um desconto maior, vai fazer uma promoção de "pague dois, leve três". Agora, o tempo para isso chegar ao consumidor depende do estoque do varejo.

ENTENDA

Preços

Desde janeiro, os preços da farinha de trigo subiram 1,88% no Rio e 5,17% no país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para a indústria

No Rio Grande do Sul, outro grande produtor de trigo, a queda no preço médio foi de 11,68%, segundo o Cepea/Esalq

Para o varejo

Não há como precisar o percentual de queda para o consumidor porque o trigo não é o único componente nos preços de massas, biscoitos e pães, mas o reflexo deve ocorrer nos próximos meses.

Fonte: O Globo