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Disputa por trigo faz preço subir

A corrida das fabricantes de ração animal em busca do trigo que ainda restava no mercado nacional, para abastecer as criações de aves e suínos em substituição ao milho, forçou os moinhos a aumentar as importações do cereal nesse período. Com custos maiores para trazer trigo da Argentina, do Paraguai e do Uruguai, as indústrias gaúchas, por exemplo, reajustaram em 10% o preço da farinha no final de maio.

Cereal passou a ser usado por fabricantes de ração animal, em substituição ao milho Foto: OR Sementes / Divulgação

– Os lotes que ainda tinham no mercado desapareceram. Tivemos de buscar a matéria-prima fora para suprir a demanda – conta Andreas Elter, presidente do Sindicato das Indústrias de Trigo do Rio Grande do Sul (Sinditrigo-RS).

Em regra, o trigo importado chega ao Estado para ser moído entre 10% e 15% mais caro em relação ao produto gaúcho. Até agora, a entidade calcula que aproximadamente 300 mil toneladas do produto já foram trazidas dos principais países produtores do Mercosul. Até o final do ano, calcula-se que será necessário buscar mais 400 mil toneladas do cereal fora do Brasil. A expectativa das indústrias gaúchas é de uma moagem de 1,5 milhão de toneladas em 2016. 

No acumulado de maio, a valorização do trigo no Rio Grande do Sul foi de 13,3%, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Na sexta-feira, a tonelada chegou a R$ 800,18 no mercado gaúcho. Com a manutenção dos preços atuais, e possível escassez do produto também na Argentina, os moinhos não descartam um novo repasse de preço ao consumidor – dessa vez de 5% a 7%, em julho ou agosto.

– Se tivermos de importar trigo dos Estados Unidos, os custos serão ainda maiores – prevê Elter. Diante da escalada de preço do trigo, da soja e do milho, principais componentes da ração animal, é bom os consumidores preparem seus bolsos para novos aumentos nos próximos meses.

Fonte: Zero Hora