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Mercado e clima sinalizam trigo em alta

A cultura trigo deverá ganhar força em todo o Paraná na safra 2016/2017. A tendência é que, mesmo com uma área de plantio 19% menor no estado, a gramínea ganha valor de mercado devido ao desaquecimento das plantações de milho (que teve alta súbita no preço), sendo alternativa para a alimentação do gado. Em Irati, o trigo é uma das principais culturas e deverá reduzir a área em 15%. A redução se deve ao receio dos produtores em colheitas anteriores que causaram prejuízos devido, principalmente, ao alto índice de precipitações.

Com projeções de tempo frio e chuvas estáveis - ambiente propício para o plantio do trigo - a produção deverá ser a melhor dos últimos anos, segundo o supervisor agrícola da Moageira de Irati, Lucas Romano Zanlorense. A expectativa é que as geadas cessem a partir do dia 15 de agosto. Posterior a data, o gelo pode afetar a cultura se estiver no período de desenvolvimento vegetativo. Por isso, a previsão é que o plantio, que atingiu 99% das áreas estimadas no Paraná neste ano, deva ser feito antes do início do próximo mês.

MERCADO E TENDÊNCIA
Realizado entre os dias 24 e 26 de julho, em Londrina, a 10ª Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale (RCBPTT) e o Fórum Nacional do Trigo 2016 discutiu a tendência do trigo e as novas tecnologias para os próximos anos. O evento reuniu cerca de 250 produtores, técnicos e pesquisadores da triticultura brasileira. Entre eles esteve o diretor da Moageira de Irati, Marcelo Vosnika, que palestrou sobre o tema 'Experiência de aquisição de grãos de trigo pelos moinhos'.

Em conversa com a Folha de Irati, o gerente da Regional Norte - PR, SP, MS, MG, GO, DF e Paraguai, da empresa Biotrigo Genética, Fernando Michel Wagner, apontou quais são as tendências e o que está sendo feito na questão de melhoramento genético para dar novas opções aos produtores de trigo e ao mercado. O gerente destacou o polo produtor da gramínea em Irati, Campos Gerais e região de Guarapuava, sinalizando que as temperaturas baixas do sul paranaense contribuem para o cultivo da cultura.

"Irati tem uma case bem interessante: consegue fazer uma segregação. Mas, isso é uma exceção, quem consegue fazer isso tem um trigo melhor", explica Fernando. A segregação que o gerente se refere é cada especificidade do trigo - para massas, bolachas, ou branqueadoras "para melhor a cor que o mercado quer", como é o caso da Moageira, entre outras.

Novo produto - Outro tipo da gramínea passa a integrar a segregação, através da TBIO Energia I: uma cultivar de trigo que é voltada a silagem, feno e pré-secado para a alimentação animal. Pioneira e exclusiva no país, este novo segmento do trigo poderá substituir o milho no alimento do gado, sendo opção para a produção em várias regiões, contribuindo para o solo, que passa a contar com outra cultura, além do milho e da soja - que não é recomendado. Em Irati, segundo aponta o supervisor agrícola da Moageira, o produto deve chegar no próximo ano. "É um bom nicho de mercado. Como fica com áreas abertas em determinados períodos, acaba ocupando elas e tendo a alimentação para o gado", aponta Lucas.

OUTROS FATORES
Desafios - O transporte do trigo do Paraná para o nordeste, elucida o gerente regional da Biotrigo, é mais oneroso que importar dos EUA ou da Argentina. Isso reduz a produção e, consequentemente, a oferta. "Não temos preços equilibrados do trigo com liquidez durante todos os meses do ano. A oferta do trigo não suporta metade da demanda". A desburocratização do setor, explica Fernando, seria um dos caminhos.
Adaptação - Para que a produção se torne cada vez maior, é necessário o envolvimento da cadeia produtiva - produtor e indústria - para que se tenham melhores resultados, com investimento em novas tecnologias. "Fazemos este trabalho há 20 anos. É por isso que o trigo tem uma sustentação na região. Se não conversar todo ano com o produtor, mostrando novas tecnologias, qualquer cultura perde área. Você tem que estar dentro dessa cadeia", finaliza Lucas.

Fonte: http://www.folhadeirati.com.br/cotidiano/mercado-e-clima-sinalizam-trigo-em-alta-1.1926934