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Preço do trigo cai ao patamar de 2006

A melhora das perspectivas para a produção americana nesta safra 2016/17 derrubou os preços do trigo ao menor patamar em uma década em Chicago. Segundo cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez), o cereal fechou o mês em queda de 9,9% em relação a junho,e o valor apurado (ver infográfico abaixo) foi o mais baixo desde agosto de 2006.

O alçapão foi aberto pela divulgação das últimas estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a colheita total naquele país na temporada atual. O órgão passou a projetar 61,53 milhões de toneladas, 10,2% mais que em 2015/16. A previsão para os estoques finais americanos subiu para 30,08 milhões de toneladas, um incremento de 12,6% na mesma comparação. As novas projeções do USDA também sinalizaram uma relação mais confortável entre oferta e demanda globais.

O cenário traçado levou a um flagrante aumento nas apostas dos fundos de investimentos na baixa das cotações do trigo em Chicago, o que maximizou o mergulho observado em julho. Segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), na semana encerrada no dia 19 de julho, os gestores de recursos ("managed money") apresentaram saldos líquidos vendidos de trigos brando e duro 1,7% e 6,35% maiores que na semana anterior, respectivamente. Até o dia 26, os saldos negativos aumentaram 11,64% e 47,03%.

Como é normal nesta época, as atenções no mercado de milho também estão voltadas para a produção dos EUA, onde as lavouras deste ciclo 2016/17 estão em desenvolvimento. E, como o clima tem se mostrado camarada, a cotação média dos papéis de segunda posição em Chicago recuaram 15,89% em julho em relação ao mês anterior e bateram no menor patamar desde setembro de 2014. O cenário gerou uma drástica mudança de posicionamento dos especuladores. Na semana até o dia 19, o saldo líquido apresentado pelos gestores de recursos já foi negativo, e no período encerrado na sexta-feira passada esse saldo aumentou expressivos 390,48%.

A situação não é muito diferente no mercado de soja, cuja segunda posição recuou 7,76% em julho na comparação com junho, mas para um patamar ainda acima de US$ 10 por bushel, que pode ser considerado elevado. Mas, também por causa das boas condições climáticas nos EUA, os gestores de recursos reduziram as apostas de alta da commodity em Chicago e apresentaram um saldo líquido comprado 13,6% menor na semana até o dia 19. No período encerrado na sexta-feira, houve nova baixa, de 11,62%.

Na bolsa de Nova York, a maior parte das "soft commodities" negociadas pelo Brasil no exterior registrou valorização em julho. De acordo com os cálculos do Valor Data, a maior foi a dos contratos de segunda posição de entrega do suco de laranja (9,49%), seguida pelas altas de algodão (9,03%), café (6,47%) e açúcar (2,48%). Apenas o cacau registrou baixa (2,22%).

O algodão, por sua vez, encontrou suporte nas perspectivas de queda dos estoques globais, como indicaram as últimas estimativas do USDA. Nesse contexto, os "managed money" ampliaram o saldo líquido comprado na bolsa em 27,8% na semana até o dia 19 e em mais 6,73% na semana passada.

Para a escalada do café, pesou a incerteza sobre os reflexos de problemas climáticos em regiões produtoras do Brasil, mas o enfraquecimento do dólar em relação ao real evitou uma disparada, já que o movimento cambial desestimula as exportações brasileiras. Conforme o CFTC, os gestores apresentaram um saldo líquido comprado 1,27% menor na semana até 19 de julho. Até o dia 26, houve nova baixa, de 3,35%.

O açúcar subiu mesmo diante da melhora do cenário para a produção no Brasil, onde a colheita de cana foi acelerada em julho, e os movimentos especulativos indicam que há dúvidas quanto ao futuro da oferta. Na semana até o dia 19, a posição líquida de compra caiu 4,55%, mas no período até o dia 26, houve aumento de 3,16%.

Fonte: Valor Econômico