Greve dos caminhoneiros e tabela do frete impactaram PIB do agronegócio

06/12/2018



O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio deve fechar o ano de 2018 com uma queda de 1,6% em relação ao ano de 2017, segundo previsão da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). De acordo com levantamento da confederação, o setor foi prejudicado pela paralisação dos caminhoneiros e pelo tabelamento do frete.

Em maio deste ano, uma paralisação nacional de caminhoneiros motivada pela alta do óleo diesel impactou serviços e abastecimento em todo país. A greve, que durou 11 dias, foi encerrada depois de acordo do governo com a categoria. Entre os itens do acordo, está a tabela que fixou o preço do frete.

Segundo a CNA, a paralisação encareceu o preço dos insumos, o que impactou os resultados da agropecuária.

“Os produtores também conviveram com o clima desfavorável, o aumento dos custos de produção e a queda dos preços e de rentabilidade”, informou a entidade.

O cálculo do PIB feito pela CNA leva em conta a renda gerada no agronegócio brasileiro.

Para 2019, a CNA prevê um crescimento de 2% do PIB do agronegócio. A alta deve ser puxada pela previsão de clima mais favorável e alta na safra de grãos, de acordo com a confederação.

Tabela do frete

Durante a coletiva, o presidente da CNA, José Martins, voltou a criticar o tabelamento do preço do frete. A CNA foi uma das entidades que questionaram o tabelamento no Supremo Tribunal Federal (STF). "Vamos continuar batendo que somos contra a tabela", disse.

Segundo ele, a tabela é resultado de uma política equivocada com relação ao preço dos combustíveis. Martins afirmou que com a correção da política de reajuste do preço dos combustíveis e com a anulação de alguns impostos, o combustível vai chegar a um preço em que a tabela não terá mais razão de existir.

Mercado externo

A CNA destacou ainda a expectativa para a conclusão dos acordos comerciais com a Coreia do Sul, México, Canadá e outros mercados.

“Outras prioridades no comércio exterior são: a diversificação da pauta exportadora; a inclusão de pequenos e médios produtores no processo de exportação; celeridade em negociações de acordos fitossanitários e fortalecimento das relações comerciais com países asiáticos”, afirmou a confederação.

A superintendente de Relações Internacionais da CNA, Lígia Dutra, afirmou que diversificar os compradores é um desafio para o Brasil. Atualmente, a China compra 29% de tudo que é exportado pelo setor. "Precisamos de mais parceiros. Diversificar a pauta e destinos. Não é bom depender de um só comprador", disse.

Sobre a necessidade de novos acordos de comércio, Lígia destacou que os produtos brasileiros ainda pagam grandes taxas e tem dificuldade de fazer acordos sanitários. “Para terem uma ideia, estamos há 8 anos negociando a entrada de melão brasileiro na China”, disse.

De janeiro a novembro de 2018, o agronegócio exportou R$ 93,3 bilhões, um aumento de 4,6% com relação ao valor exportado no mesmo período de 2017. O agronegócio respondeu por 42% das vendas externas do país.

Nesse período, o Brasil respondeu por 7,2% das exportações mundiais do agronegócio, voltando a ocupar a terceira posição no mercado mundial, atrás dos Estados Unidos e União Europeia. Em 2017, o Brasil havia perdido a terceira posição para a China.

Reformas

Com relação ao cenário político, a CNA pediu a conclusão das reformas tributárias e da Previdência. “Outros pontos importantes para 2019 são a melhoria nas condições de infraestrutura e logística e segurança no campo”, informou a entidade.


Fonte: G1